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41. RELATOS DO INVISÍVEL – AMAGOR

Atualizado: 12 de jul. de 2021

Veothar não pode se alongar em seu relato. Lembra que o tempo que corre no relógio da matéria diminui enquanto passa, diferente do invisível sem tempo, com o qual começava a se acostumar.


- Vem comigo. Preciso te mostrar uma coisa. Te falo enquanto caminhamos.


Monsenir estranha. Para onde um cego iria conduzi-lo? Veothar se levanta antes dele e lhe estende a mão. Monsenir levanta-se puxado simbolicamente pela mão estendida do cego, apenas para demonstrar que confiava na sua condução, porque forças ele tinha para se erguer.


- Venha, segure no meu ombro – fala Veothar. Inusitadamente, o Monsenir, que enxerga, é conduzido pelo cego da visão, mas sensível às outras frequências de luz do mundo.


Monsenir não fala nada. Apenas se deixa conduzir pelo amigo para o meio da escuridão da floresta enquanto a festa corria em seu ápice de batucadas, harmonias, dança, comidas e alegrias. A noite nublada e sem lua intensificava a escuridão, deixando o chefe interino completamente cego, muito mais que Veothar, que, enquanto caminha com certa dificuldade, mas seguro, para dentro da floresta que circunda a tribo, relata o que Monsenir precisava ouvir.


- Pude entrar na mente do Baltazar, em Amagor. Ele é o meta-humano que te falei, caído na guerra, resgatado pelos Roedores da Evolução antes de Panteon. Estava quase morto, como eu estive. Mas, assim como eu e mais dois meta-humanos e tantos outros humanos, foi recuperado pela ciência descoberta pelos Roedores.


Conforme caminham, embrenhando-se com dificuldade pela floresta escura, Monsenir vai acostumando a vista. E se impressiona com a habilidade daquele cego, de perna esquerda mecânica, em conduzí-lo por onde ele mesmo, com visão e duas pernas saudáveis, teria mais dificuldade, ao ponto de duvidar da falta de visão do amigo.


- Estás mesmo cego?... para onde estás indo?


Veothar nem responde, apenas continua o relato.





“O Baltazar veio comigo, me acompanhou em minha caminhada de Nemansky até Insag. Mas o objetivo dele era ficar em Amagor. Lá ele é venerado. Pra lá ele foi.


Sabes bem. Amagor foi fundada ao redor de um cruzador meta-humano caído. A explosão da nave formou uma grande cratera arredondada em meio ao que era floresta na época. Pelegran e sua casa, que já adoravam os meta-humanos como deuses, fundaram lá a tribo e atraíram muitos que veneravam esses seres. E foram juntando diversos equipamentos caídos na guerra. Formaram lá um grande museu de relíquias meta-humanas.


Imagine o que significa para eles a chegada de um meta-humano? Baltazar, que é um liberto das regras rígidas de Panteon desde que foi praticamente ressuscitado pela Doutora Eliar, mas dado como morto pelo seu comando, passou a se lambuzar desta liberdade. A bajulação, a fama e os prazeres que Amagor lhe daria, e que nunca conseguira na vida, era o que ele queria. Ao encontrar sua mente no sono, vi que ele é hoje a grande atração daquele grande parque chamado Amagor.


Mas também percebi que ele conseguiu um outro desejo: reativar equipamentos antigos com tecnologia de Orion como só um meta-humano saberia fazer. Ele precisava dessa tecnologia, para sua própria saúde. E através de um equipamento chamado Onicom, que permite aos meta-humanos uma comunicação mental com outros seres, principalmente através dos sonhos, ele fez o que pedi a ele: uma reunião de cinco almas para salvar Insag.”


A escuridão em meio a floresta era intensa. Conforme se afastavam dos restos de luz produzidos pelas catorze tochas da festa, nem a visão acostumada ao breu era capaz de enxergar alguma coisa. Monsenir apenas ouvia o farfalhar das folhas, dos galhos, do vento, o zumbido dos mosquitos, os tambores ao longe e a voz de Veothar, que preenchia toda a sua atenção.


- Quem são estas cinco almas?


- Eram para ser seis, se conseguíssemos te encontrar, porque me parece que não dormiste. E quando dormiste, outros entes te tomaram a mente no sonho e te passaram uma informação valiosa para nós: há um aliado sartânio.


- Sim... Agnar. Quando dormi, depois de quatro dias, sonhei com a Agnar, Marieh, Haia e aquele sartânio...


- E seriam sete almas. Agora, depois do que me falaste, creio que este mesmo sartânio tentou nos contactar em meio à reunião, mas não permitimos. Mas agora sei...


E repentinamente, Veothar para e faz Monsenir parar junto.


- Quem são as 5 almas? Suponho que uma delas seja tu mesmo...


- Além de mim, Baltazar, Dra Eliar, o espirito errante que vive em Zenit...


- ... sim, sabemos sobre ele. É um ex-soldado que não consegue morrer. Dizem que, apesar de estar com o corpo em coma, sua consciência ainda fala com as pessoas, dá conselhos e prevê acontecimentos. Uma peregrinação de pessoas vai à Zenit em busca de sua bênção.


- Ele mesmo.


- E a quinta?


E uma fraca luz azulada começa a brotar de um ponto muito perto da floresta. A luz, tão fraca seria, imperceptível se houvesse qualquer outra luz por perto, mas forte o suficiente para, em meio à completa escuridão em que se encontravam, revelar a figura de um meta-humano, ao lado de um cilindro, perfeitamente liso, que flutua a seu lado.


Monsenir estremece, se assusta, dá um passo para trás, tropeça em raízes, quase cai, tenta entender a cena que se revela aos poucos conforme a luz, emitida de dentro do elmo daquela figura mítica, revela aos seus olhos.


- Este é Anoriah. Um dos meta-humanos insurgentes de Panteon. Ele é a quinta alma de nossa aliança.


 

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